A coisa errada do jeito errado

Moro

Acabei de ler integralmente o despacho de Moro autorizando a condução coercitiva de Lula. Custoso crer que um jurista da capacidade de Sérgio Moro tenha cometido tal atrocidade. A fundamentação foi frágil e sem consistência, uma sucessão de achismos com um quê de soberba camuflada de humildade (a pior de todas). O despacho foi claramente ilegal. Moro abriu um perigoso precedente contra si. Uma atuação até agora discutível teoricamente, mas beirando a perfeição técnica. É como o atacante que durante 89 minutos faz uma partida impecável, aos 90 sofre um pênalti e quando vai bater pra assegurar a vitória do seu time, dá aquele chutinho fraquinho, desrespeitoso ao jogo, ao adversário e a seus companheiros, e só empurra a bola pras mãos do goleiro.

Eu gostaria de concluir esse pequeno texto dizendo que Sérgio Moro fez a coisa certa do jeito errado, mas eu não estaria sendo correto com minha consciência. Nesse momento me dispo do político que sou por ser cidadão e escrevo exclusivamente como advogado que sou por formação (e por vocação). A condução coercitiva de Lula foi errada. Queria terminar esse texto dizendo que Moro fez a coisa certa do jeito errado, mas infelizmente o que eu enxergo é que ele fez a coisa errada do jeito errado.

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~ por Marcelo Amil em março 4, 2016.

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