O Brasil desistiu dos partidos

Há sim muito o que se comemorar pelo momento que vivemos. Quem foi pra rua ou apoiou de alguma forma está fazendo parte de um novo momento no Brasil. Como isso vai terminar eu considero ainda imprevisível, mas afirmo com absoluta certeza. O Brasil vai sair disso melhor. Esse foi o momento onde a corda arrebentou. Há décadas o Brasil grita que quer um país melhor. Gritamos isso quando exigimos votar, pois não estávamos satisfeitos com os líderes que nos impunham. Gritamos isso quando elegemos um presidente, depois o depusemos quando vimos que ele não era bem o que esperávamos (vou ignorar aqui o papel da globo no processo de impeachment. Em outro post falarei sobre isso). Gritamos isso quando decidimos tirar o PSDB do poder, dando ao PT o voto de confiança pra fazer um Brasil diferente. E agora, damos mais um grito dizendo que as coisas precisam melhorar ainda mais. O Brasil de Collor, era melhor que o da ditadura militar, o Brasil da era PSDB era melhor que o da era Collor, o Brasil da era PT é melhor que o da era PSDB, e agora o Brasil caminha pra uma era melhor que a era PT, e esse momento que vive o Brasil é o início do caminho da nova era.

Já há algum tempo se comenta nas redes sociais o nome de Joaquim Barbosa pra presidente. Bem, isso não vai acontecer, graças a deus. Explico. Há no Brasil um problema maior que qualquer governante, que é o modo de governar. Nosso sistema político condiciona o governo, seja ele de que esfera for, a aglutinar. Por mais beem intencionado que um político seja ele pouco ou nada pode fazer pra melhorar. Não adianta mudar os dançarinos, se a música continuar a mesma. Se Nelson Mandela assumisse a presidência do Brasil, em dois anos ou ele teria renunciado, ou ele teria nosso ódio. nosso sistema político é alicerçado em partidos políticos. É o partido quem tem o monopólio da apresentação de candidatos a agentes públicos, ou seja, você só participa da vida política através de partidos. O objetivo disto, era que toda a sociedade soubesse claramente quem é quem. Se fulano está filiado ao partido A, obviamente ele pensa diferente do partido B. Como eu também penso diferente do partido B, vou votar em fulano do partido A. O problema é que depois da eleição, lá está o partido B na base de apoio do partido A. Ouso dizer que 80% dos políticos COM MANDATO, no Brasil jamais se deu ao trabalho de ler o programa do partido pelo qual foi eleito. Os partidos foram uma coisa boa pro Brasil em determinado momento, e eu confesso que ainda os acho indispensáveis a um estado democrático de direitos. Mas nesse momento em que o Brasil rechaça os partidos de forma generalizada, precisamos repensar, não simplesmente partido A ou B, mas precisamos repensar a forma de oepração política do país. Qual caminho vai surgir? Também não consigo prever. Aboliremos os partidos e permitiremos o lançamento de candidaturas avulsas? Caminharemos pro bipartidarismo? Insistiremos na busca por cláusulas de barreiras? Estimularemos a hiperpulverização de partidos? Sinceramente não sei. Tenho minhas predileções e opiniões, mas entendo impossível prever. Mas seja qual for o rumo seguido, uma coisa é clara. O modelo partidário que hoje existe no Brasil acabou.

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~ por Marcelo Amil em junho 21, 2013.

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