E aí vem seis mil cabos eleitorais com nível superior

Foto: G1

O governo brasileiro está negociando com Cuba uma parceria para receber seis mil médicos cubanos (ou formados em Cuba, visto que há muitos brasileiros lá estudando) para atuar em áreas pobres do Brasil, onde tradicionalmente não há muito interesse dos médicos brasileiros. Tecnicamente, achei muito pertinente o comentário do Dr. Luiz Fernando Correia, da CBN, cujo áudio está disponibilizado integralmente no fim desta postagem. É muito fácil acusar o médico brasileiro de não querer trabalhar no interior. Difícil é reconhecer que o poder público não dá ao médico a condição adequada para exercer a medicina no interior do Brasil. Recentemente vi in loco o caso de um atleta que sofreu uma fratura no nariz, em Borba, e precisou vir para Manaus pois na cidade sequer havia um aparelho de raio x. Pelo que entendi, corrijam-me se eu estiver errado, esses profissionais, virão paro o Brasil através de um acordo, acordo esse que os dispensará do exame de revalidação, previsto em lei. O Brasil precisa de médicos? Sim, óbvio que sim! Mas será que esse acordo vai trazer pro Brasil médicos ou cabos eleitorais? Não me oponho a um acordo entre o Brasil e qualquer nação que seja, desde que este acordo respeite as leis brasileiras. Vou ficar muito feliz se estes seis mil médicos vierem pro Brasil e forem aprovados num exame de revalidação. Porém, dados os resultados dos últimos exames de revalidação, acho pouquíssimo provável que isso aconteça. Em 2012, o índice de reprovação na primeira fase foi de 87,5%. Vamos supor que seis mil médicos formados no exterior tivessem feito o exame em 2012. Desses seis mil, somente 780 teriam sido aprovados na primeira fase do exame, sendo reprovados 5.220. É um número relevante demais pra ser ignorado por decreto presidencial.

O cerne da questão não é simplesmente prover o Brasil de mais médicos, mas colocar no país, seis mil cabos eleitorais do governo petista. Quem conhece o interior sabe a relevância do médico na comunidade, o íntimo relacionamento de que ele goza com as pessoas, sendo muitas vezes visto como parte da família. Todo mundo  tem direito ao seu livre posicionamento e manifestação política. É absolutamente temerário, que por projeto político de perpetuação no poder, submetamos as comunidades mais carentes aos cuidados de pessoas menos qualificadas. Tragam pro Brasil 600.000 médicos cubanos, venezuelanos, bolivianos e que tenham eles o posicionamento político que quiserem, porém, que somente seja permitido exercer a medicina no Brasil, àqueles que tiverem seus conhecimentos técnicos reconhecidos conforme manda a lei brasileira. Importem médicos, não cabos eleitorais.

Para ouvir o comentário de Luiz Fernando Correia clique aqui

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~ por Marcelo Amil em maio 8, 2013.

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