Morre Alfredo Nascimento

Apogeu e decadência. Todo dia vemos isso na vida. Vemos agora mais um exemplo desses, um exemplo claro e clássico. Alfredo tinha até o ano passado uma carreira política irretocável. Foi superintendente da SUFRAMA cargo sonhado por 10 entre 10 assessores ou políticos de menor expressão. Depois disso foi um discreto vice governador do Amazonas, aí resolveu alçar vôos mais altos, não que ser vice governador do Amazonas seja pouca coisa, longe disso. Alfredo quis ser prefeito de Manaus. Pouquíssimo conhecido, mas pouquíssimo mesmo. Foi pra campanha como um ilustre desconhecido, mesmo tendo sido vice governador. Teve os, respectivamente, então prefeito e governador, Eduardo e Amazonino, hoje senador e prefeito ao seu lado em cada segundo e conduzindo-o a vencer o segundo turno em 96, e teve força própria pra vencer em 2000. Foi o primeiro prefeito de capital a apoiar declaradamente Lula em 2001 o que lhe rendeu, obviamente não apenas pelo apoio, um ministério no governo Lula. Não qualquer ministério, mas uma pasta com orçamento e relevância, o ministério dos transportes. Neste processo, de renúncia à prefeitura, Alfredo sofreria seu primeiro revés político da vida (que pra mim até hj não está bem claro, ainda acho que ele fez acordo pra fingir que levou pernada e fortalecer Amazonino) que foi a varrição de seu indicado à sucessão (seu homem de confiança, Aluízio Braga), visto que seu vice, Omar Aziz havia reununciado à vice prefeitura pra assumir, e a consequente vitória numa eleição indireta e Carijó, então presidente da CMM. Daí Alfredo ficou no ministério, passou o tempo e elegeu-se senador com amplo apoio de Lula. AQUI COMEÇA A QUEDA.

Alfredo mais uma vez, vive tempo de calmaria e por ter sido eleito senador tranquilamente com o apoio de Lula, crê que isso será suficiente pra ser eleito governador. Alfredo, acostumado a subir em palanque, agora passa a impressão de estar num altar. Encastela-se em Brasília, não conversa, não atende, não dá as caras. Quando se aproxima a eleição, Lula vê-se entre garantir apoio de Eduardo, à Dilma, consequentemente apoiando Omar, ou, pelo menos não se metendo na eleição, ou arriscar o apoio de Eduardo ficando ao lado de Alfredo. Entre Dilma e Alfredo, já sabemos quem ele escolheu. Alfredo saiu muitíssimo enfraquecido da eleição. Caminhou sozinho, foi traído, colheu a arrogância que plantou. Agora, em um governo ainda sem consistência, ainda vulnerável, vê seu castelo desabar. Ele volta pro senado, onde tem como maiores interessados em ver sua cabeça numa bandeja, justamente o PT. Se Alfredo for cassado, o PT ganha um senador. Cassar Alfredo não é simples, o PR tem relevância no congresso e Dilma precisa dele. Mas se o palácio conseguir viabilizar um acordo pra livrar a cabeça de Waldemar, ou enaltecer caciques emergentes no PR, aí, senhores… bau bau.

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~ por Marcelo Amil em julho 7, 2011.

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